Julgamento

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30 Dez 2013

Como diz a famosa frase de Gil Scott Heron "A revolução não será televisionada". De fato. 2013 foi uma pequena mostra de mobilização popular tratada como "baderna" pelos ditos formadores de opinião (a exemplo do verborrágico Arnaldo Jabor). As manifestações de junho, como ficaram conhecidas as passeatas iniciadas pelo movimento Tarifa Zero, só ganharam contornos políticos pela mídia quando não era mais possível ignorar a questão. As ruas falaram mais alto que os poderosos veículos de massa, com todas as suas bandeiras, difusas e dos mais diversos grupos sociais (alguns com causas antagônicas entre si). "Power to the people" finalmente fez sentido para quem sequer imaginava protestos assim em um país como o Brasil. O caos se instaurou à procura de uma nova ordem, embora nenhum de nós saiba exatamente o que isso seria, fica claro que todos desejam transformações profundas e não é aquela ditada pelos grandes veículos e corporações, cujos interesses nem sempre (quase nunca) caminham na mesmo sentido das necessidades e anseios da população.

2013 termina com um diferencial em relação a outros anos recentes. As pessoas agora sabem, na prática, a força de suas reivindicações, sabem agora que política não é só aquilo feito pelos eleitos remunerados. Vociferamos, e fomos ouvidos. As mazelas permanecem, os Amarildos são vários e incontáveis e, se o asfalto teve um vislumbre da repressão armada, ela sempre esteve presente nas periferias. Mas 2014 se encerra assim, com algo de otimismo real no ar... "A mudança é iminente e vem de baixo" (Julgamento em 'Nós Estamos de Volta'). Seguimos no front e a palavra é a ferramenta de mudanças.